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segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

MANUAL DO GOL GTS 1988


Feroz, a nova versão manteve o status de automóvel mais rápido do Brasil: ia de 0 a 100 km/h em 10,8 s – era o único esportivo a completar a prova em menos de 11 s. O ronco do escapamento (pouco abaixo do limite permitido), os freios eficientes, a direção rápida e o câmbio de engates curtos eram alguns de seus traços merecedores de elogios.

O elevado desempenho tinha explicação: o motor 1.8 dotado do comando de válvulas 049G (oriundo do Golf GTi). Gerava tanta energia que, por razões tributárias, a potência declarada era de 99 cv – um valor incompatível com o desempenho. A potência estimada ficava entre 105 e 110 cv. Sobre os concorrentes, apenas o Monza S/R (motor 2.0) e o Passat GTS Pointer chegavam perto.

Além de potente, o GTS era carismático ao ponto de amenizar defeitos: o painel era igual ao do GT e tinha freios subdimensionados. Por outro lado, os retrovisores tinham comando interno, o volante era o “quatro bolas” do Santana e os bancos Recaro vinham de série. Como opcional, havia rádio com toca-fitas e ar-condicionado – quase sempre dispensado por roubar potência.

O acabamento melhorou na linha 1988. O painel de instrumentos passou a ser o mesmo do Fox (versão do Voyage exportada para os EUA), os vidros elétricos e espelhos retrovisores eram iguais aos do Santana e a manopla do câmbio agora era uma bola de golfe estilizada (herança do Golf alemão). E o melhor: estava mais rápido, com 0 a 100 km/h em 10,6 s.

Embora tenha perdido o posto de nacional mais rápido para o GTI (em 1989), o GTS manteve seu público. Era 56% mais barato que o topo de linha e o preferido dos preparadores, que abusavam da dupla carburação horizontal ou instalavam um turbo.

Reestilizado, o GTS 1991 enfrentava Escort XR3 1.8 e Uno 1.6R, mas continuava imbatível na relação custo-desempenho. Em números absolutos, perdia apenas para o Kadett GSi e o irmão caçula (o Gol GTi), ambos com motor 2.0. E o GTS 1991 mantinha o ronco e a estabilidade inalterados, mas a queda no desempenho era sensível: ia de 0 a 100 km/h em 11,8 s.

A concorrência evidenciava um ponto negativo do GTS: a ausência de discos ventilados nos freios dianteiros. Mesmo sendo campeão de frenagem, a perda de eficiência em uso severo era sensível e perigosa.

Apesar das boas vendas em vida, poucas unidades permaneceram originais. Um deles é este GTS 1990, que pertence ao colecionador Deivis Felix Martins. Em fim de carreira, o GTS 1994 trazia direção hidráulica, mas despediu-se com a chegada da segunda geração do Gol. Em 1996, o Gol TSi foi uma tentativa de repetir seu sucesso, mas faltavam itens de série que o “irmão do meio” tinha de sobra: carisma e desempenho.
 




 

2 comentários:

LAERTE ROMERO CARNEIRO disse...

Tenho um GTS 89, e não conseguía informações. Seu blog é sensacional.

LAERTE ROMERO CARNEIRO disse...
Este comentário foi removido pelo autor.